Última atualização:

Quem Somos

O Campo Psicanalítico é a Formação Clínica da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano Brasil na Bahia. Com sede em Salvador e Ilhéus/Itabuna congrega psicanalistas e interessados no saber da psicanálise com o objetivo de proceder a transmissão, a pesquisa e a clínica da psicanálise.

O Campo Psicanalítico se inspirou em uma frase – não faço nenhuma propaganda para que haja analistas - proferida na Conferência de Milão [Lacan, 1974]: “O que espero, é que alguma coisa se produza na Itália: a saber, que um certo número de pessoas aqui seja analisada [seja, digo, é o verbo ser]. Para ser analista - que é uma posição muito difícil - para que vocês sejam analistas, não posso de modo nenhum querer em lugar de vocês. Isso deve vir de cada um. É uma posição quase impossível. Logo, não posso querer em lugar de vocês. Não faço nenhuma propaganda para que haja analistas. A palavra propaganda está associada desde muito tempo à idéia de fé, de propaganda - foi assim que a palavra nasceu - fide. Não quer dizer de modo nenhum que não haja necessidade de analistas na Itália...”.

Tomar esta frase - não faço nenhuma propaganda para que haja analistas - como insígnia de uma instituição de transmissão da psicanálise parece paradoxal, pois, afinal de contas, uma instituição de psicanálise visa, acima de tudo, a “formação do psicanalista”. Porém, uma insígnia como tal, poderia se justificar, se levarmos em conta o desejo do analista, o fato de que o analista não pode querer em lugar do analisando. O analista pode esperar que um certo número de pessoas queiram ser analisadas, mas não pode esperar que queiram ser analistas, mesmo porque uma análise não é condição suficiente para que haja analista.

Outra inspiração do Campo Psicanalítico é extraída da definição: Escola Freudiana quer dizer: o saber de Freud é transmissível e o lugar dessa transmissão é uma Escola [Jean-Claude Milner, A obra clara, 1996]. Segundo o autor, as referências de Lacan eram muito precisas, sendo as principais: Bourbaki, Mallarmé e Freud. O primeiro é um grupo de matemáticos que não se anunciam senão por esse nome. Scilicet, a revista que propagava a Escola, obedecia a essa lógica. O segundo é o poeta que acreditava que é permitido a um sujeito criar instituições desde que não conformistas. O Seminário e o Cartel eram dispositivos não conformistas. O terceiro acreditava estar apresentando ao mundo uma disciplina que invocava o ideal da ciência, mas não aceitou fazer o alinhamento da formação psicanalítica à formação médica e acabou por achar possível criar uma instituição fora da Universidade. Contudo, a Escola Freudiana foi dissolvida. As Escolas que ressurgiram em seu lugar se organizaram segundo outra lógica. A revista Scilicet desapareceu. As revistas que a sucederam se ordenaram por outras regras. A IPA permaneceu indecidida entre a Psicanálise e a Universidade. Estas descontinuidades não foram meras turbulências institucionais, mas obedeceram à lógica do próprio conceito de Escola. De modo que, ao fazermos a proposição de uma instituição titulada de Campo Psicanalítico, queremos dizer que o saber do psicanalista é transmissível e o lugar dessa transmissão é um campo.

O léxico psicanalítico amplifica o alcance dos léxicos freudiano e lacaniano, na medida em que promete transformá-los em referenciais de análise e intercâmbio com outros discursos psicanalíticos. Promete também uma abertura ao diálogo com outros discursos não psicanalíticos. Psicanalítico é inclusivo do saber de Freud e Lacan e não exclusivo de outros saberes. Essa nos parece ser uma tomada de posição necessária na contemporaneidade. Por outro lado, o léxico campo, enquanto lugar de transmissão do saber do psicanalista, deve ser entendido como campo da linguagem, que é efetivamente o espaço em que se joga a partida de uma psicanálise. O campo da linguagem é inclusivo da função da fala e não exclusivo da função do gozo que somente na linguagem se efetiva.