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Psicanálise e Corpo

Programa do Campo Psicanalítico 2020

O corpo, a levá-lo a sério, é, para começar, aquilo que pode portar a marca adequada para situá-lo numa sequência de significantes
(LACAN, 1970, p. 407).

O Campo Psicanalítico, em 2020, decidiu retomar o estudo sobre o corpo, agora, a partir da relação Psicanálise e Corpo, com seus desdobramentos teóricos, clínicos, políticos e éticos nas diversas transformações físicas, psíquicas e culturais que o corpo e o sujeito que o sustenta vêm sofrendo na atualidade. O que a psicanálise já disse e tem a dizer sobre isso? De que corpo se trata na psicanálise? Como o significante afeta o corpo? Como as transformações culturais, políticas e éticas afetam o corpo? Como a psicanálise trata "o real", enquanto mistério do corpo falante, mistério do inconsciente?

De acordo com Freud e Lacan, o corpo é definido, pela psicanálise, como pulsional e como corpo falante sensível ao dizer. Para Lacan (1964), a pulsão é a maneira que tem o organismo de se desvencilhar, com os melhores fins, de um órgão.

Em uma análise, trata-se, através do discurso, de denunciar a que sorte de real ele nos permite ter acesso, já que o sujeito fala sem saber, fala com seu corpo, através do sintoma. Um saber impossível, portanto real. Propõe então, Lacan (1973), o jogo do equívoco para lidar com a impossibilidade, pois este saber impossível, que é censurado ou impossível, é dito entre palavras, entre linhas, por isso que se diz interdito.

Sintonizado com as preocupações da sociedade na contemporaneidade, de como hoje tratamos o corpo, o Campo Psicanalítico, o Fórum do Campo Lacaniano Rede Diagonal Brasil e a Internacional dos Fóruns da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano estarão, durante o ano de 2020, em nível regional, nacional e internacional, se debruçando sobre o tema do corpo, para atualizar a leitura que a psicanálise faz do corpo hoje.

O psicanalista trata da divisão do sujeito através da lógica do significante. Hoje, trata-se do excesso de gozo através do e com o corpo ou, ao contrário, como apontou Lacan (1970, p. 435) em "Radiofonia", da "sede da falta-de-gozar" que emerge no ser humano como um rande mal-estar? Essas e outras questões serão pesquisadas e estudadas durante este ano no Campo, nas suas diversas atividades.

Os nossos trabalhos serão referenciados no conceito de que o corpo não é um organismo, mas se fabrica pela gramática, pelo efeito do significante, pela sintaxe, que se supõe de respostas subjetivas, no lugar do real de alíngua, a partir do Inconsciente (SOLER, 2019).

O que o discurso analítico pode oferecer ao sujeito que tem um corpo, que pesa e tem lugar, para reduzir a segregação a que os muros da linguagem e os vários discursos submetem o sujeito? Foi por essa e outras razões que escolhemos, para ilustrar o tema do nosso programa, a imagem cedida, gentilmente, pelo artista Bel Borba, de um corpo furado, que se depara com o muro da linguagem. A nossa aposta é que, pelo inconsciente, o corpo adquira voz.

Acompanhem, em nosso folder, as mais diversas atividades que o Campo Psicanalítico de Salvador e Ilhéus/Itabuna desenvolverão em 2020, juntamente com o Fórum do Campo Lacaniano Rede Diagonal Brasil – Salvador, e o anúncio dos eventos locais, nacionais e internacionais. Bom estudo e trabalho para todos!

José Antonio Pereira da Silva

Programa Campo Psicanalítico 2020